Centro …
by Felipe 'chronos' Prenholato on Wednesday, 10 March/2010, under Off - Techs
Começo meu blog com um texto de uma pessoa muito especial para mim, homenageando ela, que ainda vive, a cidade de São Carlos que me acolheu, a história em que todos participam, os fotográfos que registram esta história e as pessoas que veêm tudo, com o sentimento e carinho que a Juliana, autora do texto, passa.
“Centro
Para o projeto, levei apenas uma camêra e a vontade de aprender a fotografar.
E foi por trás da camêra, fechando um olho, que a cidade mudou.
Mas nada se passou. Diferente foi apenas meu jeito de olhar
Mesmo que ninguém diga nada a cidade conta a história, porque você não olha?
Olha a antiga estação …
Trem de passageiros, não tem mais.
Não tem mais multidão eufória indo e vindo na plataforma,
embarcando, desembarcando ou apenas para ver o trem …
Em seus relógios parados, o tempo não passa mais.
Para dizer a verdade, ele até anda para traz.
Porque ele virou museu, e agora só conta o que aconteceu.
Mas, lá fora, o tempo anda ligeiro;
O trem ainda passa e apita, mas, não tráz nem leva ninguém.
A cidade conta mais.
Diz ela, que no centro as fachadas de suas casas eram lindas.
Ela poderia mostrá-las se não estivessem cobertas por letreiros,
mas ela mostra orgulhosa algumas fachadas conservadas, prédios que só podem ser vistos por inteiro olhando para o céu.
As casas em ruínas logo darão lugar à uma nova construção, mas aqueles entulhos, serão mais que uma bela arquitetura demolida,
serão histórias deixadas para tráz,
vidas que por ali passaram,
fotografias que alguém tirou, alguma coisa que ficou.
Lembranças de quando se jogava futebol descalço na rua do Cine Avenida, do Bar do Jóia …
E agora, onde eram??
Que saída …
Agora só em fotografia.
Do alto de um prédio, vi a cidade com seus prédios, suas torres, suas casas novas, suas ruas que vão longe …
Vi quintais com varais cheios de roupas coloridas, diversos modos de viver, diversas vidas.
Casinhas humildes, casarões …
Detalhes que passam desapercebidos … entalhes e anjos esculpidos.
Parece até que tudo fica escondido!
E a gente só encontra quando precisa, e se não precisa, nem liga.
Quem precisa concertar um guarda-chuvas?
Procura então o seu luiz,
que com suas mãos enrugadas e seus olhos miudos,
surpreende na habilidade com o alicate,
em uma casa humilde cuja placa se vê da rua onde diz “Concerta-se guarda-chuva”.
E a cidade diz, que todos são uma história,
as pessoas se vão, os prédios caem …
Andando pela cidade, ouvindo histórias, alegro-me por ter estado lá.
E fico esperando que haja sempre alguém para perguntar,
que haja sempre alguém para lembrar,
que haja sempre alguém para contar,
que haja sempre alguém para escutar …
E que haja ao menos uma foto para se mostrar.”
O texto é de autoria de Juliana Dino dos Anjos para o projeto História dos Bairros. Todos os direitos reservados.
Agora, reflitam sobre a sua cidade, os belos locais, as simples pessoas …